Mestra se surprehende com as fórmas de ‘s’, ‘u’ e ‘j’ escriptaspor crianças: ‘Tive um choque’
- Ivanildo Debochara

- há 2 dias
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Irmã Ariana Castro, 58 annos, natural de Lisboa, ensina escripta ás educandas do Convento da Ajuda, no Rio de Janeiro. Disse que as principiantes estranharão as fórmas com que escrevia algumas letras.
RIO DE JANEIRO. – Carta remettida por Ariana ao Correio Braziliense mostra a surpreza que a mestra teve com a fórma como ‘s‘, ‘u‘ e ‘j‘ estão sendo escriptas pelas meninas.
“Você ſabia que o alphabeto mudou? Fui enſinada por cartilhas antigas, e aprendi a eſcrever ‘PORTVGVEZA’, ‘Ianeiro’ e ‘ſabedoria’. Tive hum choque quando as principiantes não reconhecerão eſsas letras no traſlado”, disse.
“Huma dellas perguntou por que eu eſcrevia ‘F’ no lugar de ‘S’. Não he ‘F’, minha filha. He o ‘S’. Ou era”, accrescentou.

Nascida em Lisboa, Ariana veio para o Rio em 1808, fugindo ás tropas de Bonaparte. “Meus paes conhecião eſtas fórmas antigas; foi com ellas que aprendi, e aſsim eſcrevi por muitos annos. As mais novas, porém, já não as conhecem”, disse.
A Madre Abbadessa do Convento confirmou o relato: foi ensinada com as mesmas fórmas, e diz que, mesmo em Lisboa, já ha annos as principiantes vão usando outros feitios.
Outros correspondentes, mais velhos, disserão ter aprendido aquellas mesmas fórmas. Nem todos, porém, sabião que a mudança já se notava tanto entre as principiantes. Houve quem se mostrasse surprehendido: “Naſci em 1757, e ſempre eſcrevi ‘PORTVGVEZA‘, ‘Ianeiro‘ e ‘ſabedoria‘. Agradeço por me advertirem desta novidade. Quando ſe deo eſsa mudança, pelo amor de Deos?”, perguntou huma leitora.
O Correio questionou a Impressão Regia sobre a distincção entre ‘i’ e ‘j’, ‘u’ e ‘v’, e o progressivo desapparecimento do ‘ſ’. Ficamos sem resposta até ao fecho desta edição.



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